16 de jul. de 2026

A volta da revolta

Quando um homem chega para mim e diz: “Eu consegui, você também consegue”, tenho vontade de enfiar a mão dentro da calça, tirar meu sangue de menstruação, melar o dedinho e escrever em sua camiseta: “Tomou Doril, tua dor sumiu; a minha não, seu molecão.”

O homem, revoltado com a minha revolta, revoltou-se contra mim:

— Pegue aqui a minha camiseta e vá lavar. Ou melhor: pegue essa sua camisetinha medíocre e use-a como pano de chão do banheiro.

Eu olhei para a cara dele, como quem não quer nada, e disse:

— Deixe estar. Eu sigo em frente. Lá na volta, na outra curva, você, sendo eu, verá que tua filha não foge à luta.

Eu, agora que sou homem, na outra curva, sendo ela, senti o ódio e fiz uma ode:

— Ó Deus, por que Tu me abandonaste?

O Todo respondeu:

— Foi tu, sendo eu, na outra curva, que escolheste o destino.

Fez-se então um grande silêncio.

Nessa história toda, ouviu-se a paz.

Todos somos um, movidos por nós mesmos, numa curva e na outra, do início ao fim, e a história se repete infinitamente. Todos, preocupados, ocupados, ansiosos e questionadores, intrigam-se:

— Eu não acredito nisso.

Na outra curva, acreditaram.

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