Eu acredito em cura, sim. Claro que a cura existe.
Mas, quando falo de espiritualidade, acho estranho usar essa ideia de cura.
Vou explicar.
A palavra cura dá a impressão de que uma doença foi eliminada, resolvida, erradicada.
Ela sugere que havia algo errado que precisava ser consertado.
Mas, quando falamos de espiritualidade, estamos falando do que pensamos sobre a vida, a morte, Deus/a e os mistérios da existência.
Cada pessoa constrói sua espiritualidade a partir do que faz sentido para si, de acordo com suas experiências de vida, sua sensibilidade e sua forma de enxergar o mundo.
Quem está vivendo na Terra não se “cura” dos mistérios.
Podemos descobrir caminhos espirituais.
Podemos refletir sobre espíritos, outras dimensões, vidas paralelas, inteligências no universo…
Podemos expandir nossa consciência.
Mas o mistério continua sendo mistério.
E não estamos doentes por não compreendê-lo totalmente.
Não precisamos de cura para lidar com o desconhecido.
O mistério faz parte da experiência humana.
Ele é natural. Ele é saudável. Ele é parte da condição de estar aqui.
Se não houvesse mistério, talvez nem estivéssemos na Terra.
Talvez já estivéssemos “curados” da experiência humana… e, nesse caso, a própria jornada deixaria de existir.
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Utilizar a palavra cura para terapias, para questões de saúde emocional, física e até espiritual, do ponto de vista prático, tudo bem.
Ainda assim, pisando na Terra, vivemos os altos e baixos.
A depressão pode ser curada.
A dor pode ser curada.
Um obsessor pode ser desconectado.
Mas tudo isso também pode voltar.
O extermínio definitivo, de fato, não existe.
A cura, na experiência humana, é impermanente.