Quando um homem chega para mim e diz: “Eu consegui, você também consegue”, tenho vontade de enfiar a mão dentro da calça, tirar meu sangue de menstruação, melar o dedinho e escrever em sua camiseta: “Tomou Doril, tua dor sumiu; a minha não, seu molecão.”
O homem, revoltado com a minha revolta, revoltou-se contra mim:
— Pegue aqui a minha camiseta e vá lavar. Ou melhor: pegue essa sua camisetinha medíocre e use-a como pano de chão do banheiro.
Eu olhei para a cara dele, como quem não quer nada, e disse:
— Deixe estar. Eu sigo em frente. Lá na volta, na outra curva, você, sendo eu, verá que tua filha não foge à luta.
Eu, agora que sou homem, na outra curva, sendo ela, senti o ódio e fiz uma ode:
— Ó Deus, por que Tu me abandonaste?
O Todo respondeu:
— Foi tu, sendo eu, na outra curva, que escolheste o destino.
Fez-se então um grande silêncio.
Nessa história toda, ouviu-se a paz.
Todos somos um, movidos por nós mesmos, numa curva e na outra, do início ao fim, e a história se repete infinitamente. Todos, preocupados, ocupados, ansiosos e questionadores, intrigam-se:
— Eu não acredito nisso.
Na outra curva, acreditaram.